A música tem um papel fundamental na cultura africana, ela está presente em todos os eventos naturais e supranaturais. Nas diásporas esta característica se manteve, como forma de resistência e identidade, dando origem a manifestações musicais singulares, significativas destas culturas, que foram re-fundadoras da música no ocidente. O Jazz, o rock, a música caribenha, e a música brasileira se tornaram importantes matrizes na contemporaneidade.
Segundo o historiador e pensador norte-americano Michael Ventura, nas diásporas de língua inglesa a religião anglicana, ao censurar a mítica africana, fez com que a mítica dos orixás se deslocasse, através do blues e da dança, para a improvisação, no rock e no jazz. Nos locais de colonização latina, a interação com religião católica, menos radical, produziu uma música mais rica em sua diversidade rítmica e melódica. Aí foi razoavelmente bem preservada e desenvolvida, a linguagem dos tambores. A mítica africana presente no candomblé, na Umbanda, no Congado e em outras manifestações de acento africano, transbordou para a música popular, de tal forma que a deriva musical nas diásporas, destarte a diversidade de suas manifestações, tem como fundamento comum, a matriz africana e a sobrevivência de sua mítica.
A Suíte para os Orixás é uma música composta a partir dos cantos e ritmos da tradição de Keto e Angola e de sua atual interação com a contemporaneidade. Nesta música convivem em diálogo, diversas tradições, como a linguagem dos tambores, a improvisação do jazz e a tradição européia. A improvisação tem um papel fundamental na estrutura da peça. Como no jazz, o tempo que sua duração produz, é a porta de comunicação entre este mundo e o outro, entre o àiylé e o orun.
A peça original concebida para sexteto e orquestra de cordas tem sido realizada também em uma versão só para sexteto. O disco lançado em 2006 foi considerado o melhor CD de música instrumental de 2006 (prêmio Marco Antônio Araújo) e teve turnê de lançamento patrocinada pela Natura Musical em 2007 realizando shows e workshops em diversas cidades do estado. Ainda em 2007 participou do projeto “Minas Experimental”, realizando um concerto, especialmente encomendado, com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. O grupo prepara-se agora para a turnê de lançamento nacional pela Conexão Vivo.
Integrantes:
Mauro Rodrigues - flautista
Esdra "Neném" Ferreira - baterista
Downloads: Mapa do Palco Rider
E-mail: maurorodr@gmail.com
Origem: Belo Horizonte - mg (Brasil)